Análise: Caminho do Minas até a final da Copa Brasil tem coragem de Coco, bloqueio e ataque decisivos

Por Vanessa Kiyan - 28/01/2017 - 15h06 - São Paulo

Quando a Camponesa/Minas fizer um balanço do recém-começado 2017, certamente puxará da memória a semifinal da Copa Brasil com o Vôlei Nestlé. Foi daquelas exibições para encher de orgulho torcedores, jogadoras e o técnico Paulo Coco. Saque Viagem listou cinco momentos que fizeram a diferença para a classificação minastenista à decisão com o Rexona-Sesc:
 
1) Coragem de Coco
Já que não estava bom com Rosamaria, Karine e Mara, Paulo Coco não pensou duas vezes: sacou o trio titular e colocou Jaqueline, Naiane e Fran em um momento difícil para o Minas, quando a equipe perdia por boa diferença de pontos no quarto set. O técnico acabou premiado por sua coragem: o trio entrou bem e levou as minastenistas a uma vitória que parecia difícil naquele momento do set, muito mais favorável às osasquenses. No tie-break, outra sacada do técnico: tirou Jaqueline, ainda longe de seu melhor ritmo, e voltou com Rosamaria. A camisa 9 entrou cheia de vontade para mudar a história do tie-break. E o fez.
 
 
Coco participou ativamente do jogo (Foto: William Lucas/Inovafoto/Divulgação)
 
 
2) Bloqueio arrasador  
O Minas conjugou como ninguém um bom time de bloqueadoras com uma boa leitura sobre o jogo de Dani Lins, pra lá de marcada durante os cinco sets de disputa no Taquaral. Mara começou mais eficaz no fundamento e não deixou as atacantes adversárias jogarem. Fran, apesar de ter entrado na fogueira, em um quarto set que se mostrava desastroso para o Minas, se saiu também muito bem no fundamento. Mas ninguém brilhou mais que Carol Gattaz. A camisa 2 fez um pacto com a rede e não deixou uma bola passar para o seu lado. Ao todo, foram 30 pontos de bloqueio, fundamento que fez a diferença no resultado final.
 
 
Bloqueio do Minas foi responsável por 30 pontos (Foto: William Lucas/Inovafoto/Divulgação)
 
 
3) Ataque matador
Enquanto o Vôlei Nestlé perdeu boa parte de seu poderio ofensivo com o desfalque de Tandara, as levantadoras do Minas não tiveram do que reclamar: Pri Daroit, Hooker e Rosamaria tiveram um bom desempenho no setor. A norte-americana cresceu a partir do segundo set e foi a principal aposta de Karine. Com a volta de Naiane, foi Daroit quem assumiu o protagonismo. A ponteira esteve segura no fundo de quadra e foi mortal na linha de frente. Seguramente, fez uma das melhores partidas pela equipe mineira. Rosamaria, mais discreta que o habitual, voltou a ser a jogadora matadora no tie-break.    
 
 
Rosamaria foi decisiva no tie-break (Foto: João Neto/Fotojump/Divulgação)
 
 
4) Poder de reação 
Quando o Minas tomou a virada no primeiro set, uma dúvida pairou no ar: o time de Coco teria força para reagir? A resposta veio rápido, na segunda parcial. Para chegar à decisão, no entanto, as mineiras de BH precisaram passar por novas adversidades. E mostraram, novamente, poder de fogo para dar a volta por cima. No quarto set, tomaram 5 a 10 e 14 a 18. No tie-break, mais uma ducha de água fria: 3 a 7. A situação difícil não abalou as minastenistas. Nos três momentos, fizeram do bloqueio sua maior arma para buscar a virada sobre as oponentes. 
 
 
Carol Gattaz foi um dos destaques da partida (Foto: William Lucas/Inovafoto/Divulgação)
 
 
5) Qualidade do grupo
Rosamaria é nada menos que a maior pontuadora da Superliga, com 249, rendimento que não faz dela intocável no time titular. Sem render o esperado por Coco, esquentou banco no quarto set. Jaqueline entrou em seu lugar. Revelada pelo Sesi-SP e com boa passagem pelo Rio do Sul, Fran encarou de frente o desafio de substituir Mara. Junto com Gattaz, fechou a rede do Minas. Karine entrou no lugar de Naiane no segundo set. Mais experiente, deu mais equilíbrio à equipe, apesar de ter insistido demais com Hooker em algumas passagens. Karol Tormena foi outra boa aposta de Coco, sobretudo no saque. A recepção do Osasco que o diga.