Em grande final, Brasil brilha, breca Egonu e conquista pela 12ª vez o Grand Prix

Por Saque Viagem - 06/08/2017 - 11h24 - São Paulo

Quem poderia imaginar o 12º título do Brasil no Grand Prix quando se entra na competição com uma equipe bastante renovada? E quando se tem uma China e Sérvia com força máxima? Ou quando se vê atuações tão ruins como contra a Tailândia e Japão?  Foi tanto drama que o Brasil passou nesta edição 2017, e tanta provação a cada fase, que o título parecia um sonho distante. Mas ele não poderia cair em melhores mãos.
 
Nas mãos de um grupo que precisou se superar o tempo todo, que jogou o tempo todo com a faca entre os dentes para conseguir a classificação à Fase Final e à semifinal. Como em um resumo perfeito do que viveu em toda a competição, foi um Brasil cheio de altos e baixos que assistimos na decisão com a Itália. Mas foi também a mesma equipe que jogou com o coração para superar tantas adversidades.
 
Na campanha mais difícil que o Brasil já viveu em um Grand Prix, a conquista veio após uma vitória em 3 sets a 2 (26/24, 17/25, 25/22, 22/25 e 158)sobre uma Itália que foi maiúscula, que valorizou cada ponto da seleção. Foi o 12º título da seleção na história da competição, enquanto a Azzurra colecionou a terceira prata. Tandara e Natália, com 22 pontos, foram os grandes nomes da seleção na final.
 
 
Brasil foi campeão após vencer a Itália em 3 a 2 (Foto: Divulgação/FIVB)
 
 
1º SET
A boa atuação do Brasil sobre a Sérvia, na semifinal, fez Zé Roberto optar pela mesma formação que classificou a seleção à final: Drussyla ganhou a vaga de Rosamaria, e Adenízia voltou a ser titular no lugar de Carol. As mudanças não impactaram no ritmo de jogo brasileiro no primeiro set. Bem concentrada, a seleção abriu melhor a parcial, pressionando as italianas no saque. A linha de passe das rivais, sempre consistente, sentiu.
 
Mais eficiente na virada de bola, a equipe de Zé Roberto chegou a colocar 14 a 9, diferença que fez Davide Mazzanti chamar o grupo para uma conversa. E deu certo. A Azzurra reagiu e incomodou o Brasil, que passou a errar mais também. Com isso, o jogo ficou perigoso para a seleção (16/16). Na virada das oponentes para 19 a 18, foi Zé Roberto quem pediu tempo. O time verde-amarelo foi mais eficiente na reta decisiva para marcar 26 a 24.
 
2º SET
A Itália pode não ter vencido o primeiro set, mas a reação foi importante para a equipe entrar diferente na segunda parcial. Bem mais à vontade, a equipe de Mazzanti tomou as rédeas do confronto desde o início. Sem a mesma agressividade, o Brasil teve dificuldade para quebrar a linha de passe das azuis. Com isso, o bloqueio também não funcionou. Muito menos a defesa, que foi uma verdadeira peneira. 
 
Bem mais confiante, a Itália alcançou a segunda parada obrigatória com 16 a 12. E a diferença ficou cada vez maior a cada ataque das irmãs Bosetti, que souberam usar como ninguém as mãos do bloqueio rival. Quando não exploraram, também se saíram bem no ataque direto no piso. Até porque a marcação brasileira foi falha. A Azzurra sobrou de tal modo que nem precisou de Egonu na parcial. Com 25 a 17, as azuis empataram a final.
 
 
Malinov fez uma grande partida com a Itália (Foto: Divulgação/FIVB)

 
3º SET
O Brasil veio com uma novidade para a terceira parcial: Gabi ganhou a vaga de Suelen. O objetivo era tentar melhorar o fundo de quadra brasileiro. A seleção, no entanto, seguiu com dificuldade em parar as atacantes da Itália: de Lucia Bosetti a Egonu. A Azzurra se aproveitou para anotar 8 a 5. Mas a entrada de Rosamaria no saque fez a parcial ficar melhor para a seleção com o empate em 8.
 
Mas o bom momento brasileiro não durou nada. Apresentando os mesmos erros da segunda parcial, a equipe se perdeu por completo. Pela Azzurra, tudo continuou dando muito certo, até bola de segunda de Malinov. Sem sacar bem, sem passar e muito menos sem atacar com eficiência, o Brasil viu a Itália abrir 18 a 11. Mas, de forma absurda, o Brasil alcançou as rivais. O saque de Rosamaria fez toda a diferença. O bloqueio também para a seleção fechar em 25 a 22.
 
4º SET
Após a incrível virada, a expectativa era que o Brasil voltasse com a mesma agressividade para matar logo o quarto set. Mas, novamente, as brasileiras começaram em marcha lenta, deixando a Itália sonhar com o tie-break. Ao menos, o fundo de quadra da seleção melhorou, e o Brasil passou a tocar mais nas bolas da Itália. O pecado foi a falta de capricho na definição dos contra-ataques.    
 
Diante do mau momento do time, Zé Roberto fez uma mudança simples quando a Itália abriu 14 a 8: Roberta saiu e colocou Macris. A levantadora, no entanto, também não conseguiu fazer a equipe jogar melhor. Até porque mal conseguiu receber a bola nas mãos. Foi um festival de erros de recepção na passagem de Chirichella pelo saque (13/18). Na raça, a seleção reagiu e quase virou novamente sobre a Azzurra. Mas não deu tempo de evitar o 25 a 22 das rivais.
 
5º SET
Um ponto aqui, outro ali. Foi assim o início do tie-break, sem que nenhuma equipe conseguisse ganhar mais fôlego. A Itália, porém, sentiu mais o set decisivo. As bolas de meio, que tanto atormentaram a seleção, já não caíram com a mesma facilidade. Até as irmãs Bosetti, sempre regulares, erraram. Com Tandara virando todas, e sendo fundamental também no saque, o Brasil abriu 7 a 3 no set decisivo. 
 
A distância até o título foi ficando cada vez menor na boa distribuição de Roberta, que foi objetiva para encher Tandara de bola. A oposta, pra lá de inspirada, correspondeu. Rosamaria também foi fundamental com mais uma boa sequência de saque. Desta forma, a seleção criou uma gordura confortável no golpe firme de Natália (13/6). Mas foi no erro de Lucia Bosetti no saque que a seleção explodiu para comemorar o 12º título de sua história.  
 
 
Natália fez 22 pontos na decisão com a Itália (Foto: Divulgação/FIVB)