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ORIGEM E EVOLUÇÃO

Por Vanessa Kiyan


O segundo esporte mais adorado pelos brasileiros foi criado no final do século XIX, em 1895, no estado norte-americano de Massachusetts. O responsável pela “invenção” foi o diretor de Educação Física da Associação Cristã de Moços (ACM), William Morgan, que buscava inovação na grade curricular do clube.

A princípio, Morgan cogitou a possibilidade de ensinar basquete aos alunos. Mas o jogo duro, de contato físico constante, foi determinante para Morgan abortar a ideia, já que a maioria dos frequentadores da ACM era composta por pessoas de mais idade.

O criador levantou então uma rede de 1,98m e encomendou uma bola específica para o jogo, com acabamento em couro e câmera de ar no interior, pesando aproximadamente de 252 a 336g. Surgiu assim a primeira bola do esporte.

Dez regras foram elaboradas por Morgan, Frank Wood e John Lynch, e envolveram itens como modelo de quadra, uniformes, dimensões da rede, dimensões da quadra, dimensão da bola, saque, contagem, erro bola fora e número de jogadores. Inicialmente, o esporte foi batizado de mintonette, mas logo recebeu o nome pelo qual é conhecido mundialmente: volleyball.

Cinco anos após a sua criação, o esporte se expandiu para o norte e chegou ao Canadá. Em seguida, foi a vez de China, Japão, Filipinas, Índia, México e alguns países da Europa e África conhecerem a nova modalidade. Em 1930, o voleibol ganhou as terras do leste europeu, onde passou a ser jogado competitivamente.

Um ano depois do final da Segunda Guerra Mundial, foi criada a Federação Internacional de Volleyball (FIVB), com 14 membros, entre eles o Brasil. As regras americana e europeia foram unificadas. A dimensão da quadra também mudou, ganhando o tamanho atual (9x18m).

O número de adeptos cada vez mais crescente motivou o 1º Campeonato Europeu em Roma, em 1948. Um ano depois, a cidade de Praga foi sede do 1º Campeonato Mundial, com a vitória da União Soviética. Quatro anos após o primeiro Europeu, as mulheres estrearam em uma competição Mundial.

Em 1960, o Brasil sediou pela primeira vez um Mundial. Na Olimpíada do Japão, em 1964, mulheres e homens disputaram de forma inédita os Jogos. No ano seguinte, outra competição foi introduzida no calendário do vôlei: a Copa do Mundo.

A primeira Liga Mundial começou a ser disputada em 1990. Já com status de milionária desde aquela época, a presença das melhores seleções do mundo garantiu a atenção da mídia, com transmissão ao vivo das partidas em diferentes países.

As mulheres ganharam, em 1993, a versão feminina da Liga Mundial: o Grand Prix. Diferentemente do sistema de rodízio empregado na Liga, o GP sempre foi muito concentrado nos países asiáticos, desde a fase inicial até a final. Somente nos últimos anos que Itália, Brasil e Polônia quebraram a sequência asiática.

O ano de 98 marcou para sempre a evolução do esporte. Para diminuir o tempo de partida e, com isso, atrair a transmissão televisiva, a FIVB fez mudanças radicais nas regras do jogo. A vantagem foi extinta. Com isso, toda bola passou a ser ponto, independente de quem havia sacado. A pontuação limite foi de 15 para 25 pontos, com exceção do tie-break. Foi ainda estabelecida a introdução do líbero e também de bolas que não fossem apenas brancas.

O esporte, que surgiu como forma de divertimento para os associados da ACM nos Estados Unidos, hoje tem aproximadamente 500 milhões de praticantes no mundo inteiro. São 218 países associados na FIVB.

O VÔLEI CHEGA AO BRASIL

São três as versões para a chegada do esporte ao País. Uma delas defende que foi em Recife o lugar onde o vôlei foi praticado pela primeira vez, em 1915. A outra tese garante que a ACM de São Paulo tenha sido palco da inédita prática do voleibol, entre 1916 e 1917. Outros estudiosos acreditam que o esporte desembarcou em território brasileiro muito antes de chegar à capital pernambucana.

O tradicional clube do Fluminense foi o primeiro a ter uma categoria dedicada ao voleibol. Somente em 1954 foi fundada a Confederação Brasileira de Voleibol, a CBV. Um ano depois, o vôlei brasileiro debutou nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, e de lá trouxe medalhas de bronze no feminino e masculino.

Em 1975, Carlos Arthur Nuzman assumiu a presidência da CBV. A partir daí o vôlei brasileiro pode ser dividido em duas partes: antes e depois da gestão de Nuzman. Uma grande infra-estrutura foi criada a fim de proporcionar o aparecimento de novos talentos.

Os anos 80 foram marcados pela profissionalização do esporte. Clubes como Atlântica Boavista, Pirelli e Supergasbrás passaram a oferecer condições para que os atletas se dedicassem exclusivamente ao vôlei.

O primeiro grande resultado do voleibol brasileiro sob a gestão de Nuzman foi conquistado no Campeonato Mundial masculino de 1982, disputado em Buenos Aires. A seleção saiu da Argentina com um inédito vice-campeonato. Dois anos depois, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, Bernard e cia. trouxeram nova prata, perdendo a final para os donos da casa.

A “geração de prata” despertou o interesse dos brasileiros pelo esporte, mas a consolidação do vôlei só aconteceu duas Olimpíadas depois, em Barcelona, com a conquista do ouro. Desde então, a modalidade ganhou novo espaço no noticiário esportivo do Brasil e o segundo lugar na preferência nacional.

A Superliga, a mais importante competição nacional, surgiu em 1994, em substituição à Liga Nacional, que durou de 1988 a 1994. Lançada com status de um grande campeonato, com direito à venda de cards dos atletas nas bancas de jornal, a nova liga deu novo gás aos clubes brasileiros, perdurando até hoje. É um dos mais fortes campeonatos nacionais do mundo todo.

A estrutura da CBV mudou de mãos a partir de 1997. O grande trabalho desenvolvido à frente da CBV creditou Nuzman a assumir a presidência do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Em seu lugar, entrou Ary Graça Filho, ex-jogador da seleção na década de 60.

As dezenas de conquistas no masculino e feminino, em diferentes categorias, deram ao País a condição de local onde melhor se pratica e se administra o vôlei mundial, segundo a FIVB. O Brasil provou ser também o país do voleibol.


Fontes: O que é vôlei / Revista Volleyball / Folha de S.Paulo

 

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